Grand Canyon – Dicas sobre uma das 7 maravilhas do mundo

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O Grand Canyon é um dos pontos turísticos mais visitados dos Estados Unidos. Situado no estado do Arizona, próximo à Califórnia e à Las Vegas, é parada obrigatória para quem está na região ou cruzando a Rota 66. O preço do ingresso para o parque é de 25 dólares por carro, e tem validade de 7 dias.

Recentemente, foi eleito umas das maravilhas naturais do mundo. A geografia do lugar é impressionante: 1600 metros de altura em relação ao rio colorado, 29 km entre as bordas sul e norte e 445 km de comprimento. Os penhascos íngremes avermelhados impressionam pela beleza, especialmente ao pôr do sol.

Muitos optam por fazer um passeio de um dia a partir de Las Vegas para conhecer o canyon. Se você tiver a oportunidade de ficar mais dias, recomendo que o faça. Desta forma pode conhecer a fundo (e é bem fundo) um dos principais destinos dos Estados Unidos.

O Grand Canyon tem duas áreas principais: a borda sul e a borda norte.

Na borda sul, principal ponto de turismo do parque, está a maior parte da infraestrutura (hotéis, restaurantes, guias) e o acesso é mais fácil. Esta parte fica aberta durante todo o ano, e é por lá que passam 80% dos visitantes.

A borda norte tem menos infraestrutura, e o acesso fica restrito nos meses de inverno. A vantagem é que é mais vazio, e não tem o lado “turístico”, com várias pessoas que fazem o passeio de Las Vegas ocupando os melhores pontos de vista.

UM POUCO DE HISTÓRIA

Os primeiros registros de atividade humana no Grand Canyon datam de quase 10 mil anos atrás, quando tribos nômades passavam pelo local em busca de caça.

Por volta de 700 AC, os primeiros povos indígenas passaram a viver no local, já dominando técnicas agrícolas. Diferentes tribos habitaram a região do Grand Canyon: Pueblo, Hualapai, Havasupai.

No século 19 a região era território do México. A descoberta de ouro na Califórnia incentivou a migração e ocupação do oeste americano, fazendo com que colonos ocupassem as terras dos povos indígenas nativos.  Em 1948 foi assinado o tratado de Guadalupe, encerrando a guerra entre México e EUA. O acordo incluiu a transferência para os americanos de territórios equivalentes aos estados da Califórnia, Arizona, Texas, Nevada, Utah e Colorado.

Anos depois, com a construção de ferrovias, visitantes começaram a frequentar a região, que se tornou um parque em 1919.

QUANDO IR AO GRAND CANYON

Alta temporada (maio a outubro)

Todas as áreas do parque estão abertas. Os dias são quentes e o parque fica bem movimentado. O preço das acomodações aumenta, é preciso reservar com antecedência. Reservar camping com antecedência.

Média temporada (março a abril e setembro a outubro)

Uma experiência mais tranquila, o parque fica mais vazio. As temperaturas ficam mais amenas, ideal para fazer as trilhas mais longas. A vegetação do parque ganha um colorido especial. Verifique se a parte norte do parque está aberta se você pretende ir até lá (geralmente de maio a outubro).

Baixa temporada (novembro – fevereiro)

Pouquíssimos visitantes na borda sul. A borda norte está fechada e inacessível por carro. É possível acessar a pé, com equipamento para caminhar na neve.  A neve transforma o parque, com paisagens deslumbrantes do Grand Canyon coberto de branco.

COMO CHEGAR NO PARQUE

O principal aeroporto da região é o de Las Vegas. De lá você pode alugar um carro e dirigir até o Grand Canyon, são cerca de quatro horas. Outros aeroporto próximos com voos de todo o país fica em Phoenix. A cidade de Flagstaff também tem um aeroporto, mas as opções de voos são bem mais limitadas.

Se quiser ir de ônibus, a Greyhound tem rotas de todo o país até as cidades de Flgstaff e Willians, próximas ao parque. De lá é possível pegar um shuttle, van excursão ou trem até o Grand Canyon.

ONDE SE HOSPEDAR NO GRAND CANYON

A região tem várias opções de locais onde se hospedar. As melhores para quem quer passar alguns dias sem sair do Grand Canyon são o camping e as lodges disponíveis no parque. A maioria dos visitantes prefere se hospedar nas cidadezinhas próximas ao parque, listamos as principais abaixo.

Acampar

Acampar no Grand Canyon é uma experiência única, que eu recomendo a todos, especialmente àqueles que não tem experiência com acampamento. Como o parque dispõe de ampla infraestrutura (mais detalhes abaixo), dificilmente o visitante irá passar por dificuldades.

Existem 3 campings dentro do parque, e podem ser feitas reservas online para ficar em cada um deles. A maioria dos campgrounds conta com espaço para estacionar veículo, espaço para a barraca, uma mesa de madeira e um espaço próprio para acender fogueira. É muito comum entre os americanos, especialmente em família, acampar com motorhomes, mas vários ainda utilizam as boas e velhas barracas.

As reservas para acampar no Grand Canyon  podem ser feitas online. O site é em inglês, mas caso precise de alguma ajuda fique à vontade para perguntar nos comentários.

Site de reservas do governo americano

Obs: se for acampar, sugiro ficar no Mather Campground. É o de melhor localização e infraestrutura.

Lodges dentro do parque

Existem algumas opções de lodges (são como pousadas, com um estilo rústico) no Grand Canyon. Os preços variam entre elas, bem como os níveis de conforto. Todas podem ser reservadas online. Eu particularmente ainda não tive a oportunidade de ficar em nenhuma, mas são muito bem recomendadas, especialmente para quem não gosta de acampar.

As lodges podem ser reservadas online. Se você for fazer travessias e precisar dormir no cânion, a melhor opção é a lodge Phantom Ranch, que pode ser reservada neste mesmo endereço.

Tusayan

Cidade pequena a 2 quilômetros do Grand Canyon com hotéis e restaurantes que atendem os visitantes do canyon. Ideal para quem quer aproveitar ao máximo a região sem acampar ou ficar hospedado nas lodges do parque, que costumam ser mais caras.

Valle

Cidadezinha típica do interior dos EUA a cerca de 40 quilômetros do Grand Canyon. Não tem grandes atrativos que justifiquem a estadia lá, mas ainda assim atrai visitantes na alta temporada quando outras opções estão esgotadas.

Willians

Desta cidade sai o trem com destino ao Grand Canyon, o que faz com que muitos que querem fazer o passeio ferroviário fiquem aqui. Durante o dia não tem muitos atrativos, mas a noite, quando os visitantes retornam, os restaurantes ficam movimentados e a cidade agitada. A famosa rota 66 passa por aqui. Tem várias opções de hospedagem para todos os gostos e bolsos.

Deixo abaixo o site para reservas:

TRANSPORTE E INFRAESTRUTURA

O parque conta com toda a infraestrutura condizente com uma atração deste porte. Para se locomover você poderá utilizar (de graça) os ônibus que ficam circulando entre os principais pontos de interesse.

Dentro do Grand Canyon você também tem acesso a lojas de conveniência, supermercado, equipamentos para camping, aluguel de bicicletas, restaurantes, lanchonetes e lojas de presentes e souvenires.

Na entrada você receberá um mapa indicando o local das principais atrações e os trajetos das trilhas. O mapa inclui os pontos do ônibus interno do parque e quais os eventos programados para aquele período. É tudo muito organizado para que você possa aproveitar ao máximos os seus dias ali.

O QUE FAZER NO GRAND CANYON

Trilhas

Rim trail – Trilha pavimentada e plana ao longo do canion. Ideal para uma caminhada sem compromisso, passando pelas diversas atrações do lado sul do Grand Canyon. A trilha completa tem quase 20 km de duração, mas a maioria dos visitantes caminha pequenos trechos próximos ao centro de visitante, lojas, restaurantes, locais históricos e mirantes que são conectados por este caminho.

Shoshone trail – Uma trilha curta e agradável, ideal para se afastar um pouco das áreas mais cheias do parque. Com pouca elevação, e passando em meio à floresta, você tem uma grande chance de percorrer os 3 km de caminhada (ida e volta) sem ver ninguém pelo caminho, e o belo mirante no final da trilha será todo seu.

Bright Angel trail – A mais popular do parque. É o caminho mais acessível para chegar até o rio colorado, pois oferece alguns ponto de descanso com sombra. Pode ser usada para uma caminhada mais curta até o Indian Garden, uma área com bela vegetação na parte baixa do cânion, ou para chegar até o rio colorado, uma aventura que vai levar o dia inteiro.

Para chegar ao rio são 20 km de trilha, com muita descida na ida e subida na volta. Recomendo evitar durante os meses de verão, as temperaturas na parte baixa do Grand Canyon ficam muito elevadas.

South kaibab trail – Esta é principal alternativa à Bright Angel Trial para chegar ao fundo do cânion. Por não passar pelas paredes do cânion, oferece vistas melhores. Porém, não tem sombra e nem água disponível. Tem 10 km de distância (ida e volta) até o Skeleton Point, com uma belo visual do interior do Grand Canyon.

Grandview trail – Uma das trilhas mais populares do parque, leva até uma formação rochosa no centro do cânion, um ponto de vista diferente do habitual. Esta trilha tem cerca de 10 km de extensão (ida e volta). Deve ser feita com cuidado nos meses mais quentes, pois é muito íngreme e totalmente exposta ao sol. Não há água disponível ao longo da trilha, então leve bastante.

Hermit Trail – Esta trilha não é muito popular e nem bem conservada. O que pode ser ótimo! Aqui você terá uma experiência mais tranquila, próxima à realidade do cânion, sem as facilidades turísticas.   A trilha tem 7 km de duração e é bem inclinada. Ao final você chega a uma fonte, com bancos para descansar e uma bela vegetação. Ai é só aproveitar os novos ângulos desse magnifico local.

Widforss trail – Uma trilha não muito conhecida, mas muito bonita. Caminhando em meio à floresta na maior parte dos 16 km de duração você vai chegar a um mirante espetacular com um novo ponto de vista do Grand Canyon que poucas pessoas veem. A rilha é especialmente bela nos meses de outono, quando a vegetação está com os tons dourados característicos da estação. A trilha está localizada na borda norte do cânion. A melhor forma de chegar ao ponto de partida é de carro.

Travessia entre as bordas do Grand Canyon (rim to rim)

https://www.trans-canyonshuttle.com/

Travessia do cânion (margem a margem)

Para quem gosta de trilhas e desafios, essa é a meta. Atravessar de um lado a outro do cânion possibilita conhecer cada pedacinho, ver cada detalhe e ter noção exata da grandeza desta formação geológica única no mundo. Existem diversas trilhas que podem ser utilizadas para a travessia, sendo as mais populares a Bright Angel Trail e a Kaibab trail, combinando os trechos sul e norte.

Para planejar sua travessia, o primeiro passo é pensar na logística. Você pode ir e voltar caminhando, ou pegar o shuttle (pago) entre dois lados na ida ou  na volta. Na minha opinião a melhor logística é pegar o shuttle na borda sul, passar a noite na borda norte e voltar caminhando. O trajeto de carro dura cerca de 4 horas. Assim você evita o stress de ter hora marcada para terminar sua trilha, correndo o risco de perder o transporte de volta se demorar mais que o previsto.

Algumas pessoas fazem a travessia em um dia, mas eu não recomendo. Sugiro passar uma noite no fundo do cânion e caminhar com calma. As opções para dormir lá são se hospedar no Phantom Ranch ou acampar (precisa de uma permissão específica.

Travessia pela Kaibab Trail – É o caminho mais clássico para atravessar o Grand Canyon. Leva 2 ou 3 dias para percorrer os cerca de 32 km. Esse caminho é melhor se iniciado do lado sul, para evitar a subida exposta da South Kaibab Trail. Se estiver vindo do lado norte, uma boa alternativa é subir a borda sul utilizando a Bright Angel Trail. Desta forma, você também evita subir pela South Kaibab.

RAFTING NO RIO COLORADO

Deslizar velozmente pelas águas do rio Colorado em meio aos paredões do Grand Canyon é uma das experiencias mais legais que você poderá ter. Principalmente em uma dia quente de verão.

As expedições de rafting geralmente duram entre 3 e 21 dias. É preciso fazer reservas com bastante antecedência para garantir uma vaga. Nas meses de verão, as vagas chegam a se esgotar um anos antes. As expedições incluem equipamento para acampar às margens do rio e alimentação.

Se você não tem tanto tempo disponível, existem excursões de um ou meio dia em cânions próximos da região.

GRAND CANYON SKYWALK (glass bridge)

Inaugurada em 2007, é uma grande plataforma de vidro suspensa sobre o cânion. Possibilita aos visitantes a sensação de flutuar sobre o imenso abismo que é o Grand Canyon. Quando estava sendo construída, gerou controvérsia com tribos indígenas locais. Mas com o tempo se tornou uma atração extremamente popular entre os turistas que querem uma visita rápida ao cânion, especialmente aqueles que vem de Las Vegas.

BICICLETA

A melhor forma de conhecer toda a borda sul do Grand Canyon. Você pode passar uma ótima tarde pedalando pelas ruas planas e trilhas calçadas que percorrem a região. Após pedalar por alguns minutos para fora da região mais movimentada, já terá o cânion quase todo para você. A que a maioria dos turistas não se aventura a mais de alguns metros de distância dos restaurantes e lojas. Não é permitido utilizar bicicletas nas trilhas, com exceção da Greenway Trail (que é basicamente a mesma coisa que a Rim Trail, citada acima). Dentro do parque existe opção para alugar bicicletas!

PASSEIO DE MULA

Sim! Passeio de mula! Sério! Era desta forma que as visitas eram feitas ao cânion décadas e séculos atras. E você ainda pode viver esta experiencia. Dentro do parque é possível reservar o passeio, que pode ser de um dia ou incluir uma noite no fundo do cânion. Uma ótima alternativa para quem quer evitar as duras subidas e descidas.

PASSEIO DE HELICÓPTERO

Ver o Grand Canyon do alto será uma experiência única em sua vida. Só assim é possível perceber a grandeza e extensão do cânion. Diversas empresas da região oferecem passeios de helicóptero, avião e balão pelo cânion, com saídas de diversas cidades da região, como Las Vegas e Phoenix. No link abaixo você pode conferir as melhores opções disponíveis e garantir o seu!

PASSEIO DE UM DIA A PARTIR DE LAS VEGAS

Las Vegas é um destino muito popular entre os brasileiros. Se você for a cidade e quiser aproveitar uma pausa da vida noturna e dos cassinos para conhecer o Grand Canyon, muitas empresas oferecem passeios bate e volta. Vale conferir

ATRAÇÕES PRÓXIMAS AO GRAND CANYON

Reserva Havasupai (300 km) – As Havasu Falls são uma das cachoeiras mais bonitas e famosas dos EUA, e ficam no Havasu Canyon. As águas azuis fazem um belo contraste com o deserto vermelho. Mas ao contrário da maioria dos pontos turísticos da região, chegar aqui é um inferno. Tem que querer muito, e se planejar bem. Mas vale a pena!

O lugar onde vocÊ deve ir para começar se chama Hualapai Hilltop. Não confundir com a Hualapai reservation, onde fica a Skywalk, da qual falamos acima. São quase quatro horas partindo da borda sul do Grand Canyon. De Las Vegas também são umas quatro horas. A partir da Hualapai Hilltop você precisa chegar na vila de Supai, considerada a mais isolada dos EUA. A distancia é de cerca de 13 km, e não é permitido ir de carro. Suas opções são ir a pé, de cavalo ou de helicóptero. A partir de lá você pega uma trilha para chegar até as cachoeiras, são cerca de 8 km ida e volta. E esta trilha é bem ruim e íngreme.

E não se esqueca de fazer reservas para passar a noite em Supai, seja para acampar ou em uma lodge (Supai Lodge ou Hualapai Lodge). Ufa! Tem que querer muito! E cuidado com os assaltos, a vila é bem pobre e tem um histórico ruim nesse sentido.

Rota 66 (90 km) – O Arizona é o estado que tem o maior trecho da Rota 66. A famosa rodovia que cortava o país foi substituída com o tempo por estradas maiores e mais modernas. No Arizona, a substituta é a I-40. Mas qual é a graça de passar voando por essa parte tão legal do país? Saia da estrada principal rumo a Rota 66 próximo à cidade de Flagstaff para ter um gostinho de como era a América décadas atrás. Você ainda vai encontrar motéis de beira de estrada, bares, pousadas e restaurantes. Alguns sobreviventes daquela época, outros construídos para atender os turistas. Vale a experiencia e pelos chaveiros da Rota 66.

Las Vegas (440km da borda sul, 200 da Skywalk) – A cidade do pecado, erguida em meio ao deserto um século atrás para movimentar a economia da região. É de lá que saem a maioria dos visitantes do Grand Canyon. Seja para alugar um carro e passar uns dias no parque, ou para fazer uma bate e volta de ônibus ou helicóptero, Vegas é o ponto de partida oficial. Se estiver passando por perto, não deixe de passar por lá. A cidade, espetacular durante as noites e decadente durante os dias, é parte da cultura americana. Algumas das atrações mais legais são os shows e musicais que ocorrem nos casinos.

Zion National Park (380 km) – Um complemento perfeito para uma visita ao Grand Canyon. O parque de Zion oferece algumas das melhores trilhas do país, sendo Angels Landing sua principal. Se estiver fazendo uma road trip pela região, inclua o estado de Utah, vizinho ao Norte do Arizona, onde estão localizados o Zion e alguns outros fantásticos parques.

Yosemite National Park  (1000 km) – Não fica pertinho, mas fazer uma road trip entre o Grand Canyon e o Parque de Yosemite é o máximo. Tem muita coisa boa pelo caminho. Sequoia, Death Valley e Las Vegas são as principais atrações no caminho. Da primeira vez que fui aos parques fiz essse roteiro e recomendo.

 

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